domingo, 30 de agosto de 2009

OPINIÃO POLÍTICA? TESTE A SUA!!!


Este é um teste, estilo "quiz", para você testar sua opinião política que curiosamente tem o nome de "POLITICOMÊTRO". Ele foi elaborado pela revista Veja e são 20 perguntas sobre temas do contexto brasileiro, que vão da opinião sobre as ações do MST e o direito à greve até outros mais sensíveis, como liberação de drogas, aborto, porte de armas e censura. O resultado avalia se o cidadão é mais ou menos liberal nas suas opiniões sobre restrição às liberdades individuais e o controle do Estado sobre a economia. Faça o teste e descubra qual é a sua opinião, afinal de contas, todos somos políticos e precisamos estar cientes disso, pois somos responsáveis pelas nossas escolhas.


Clique aqui para acessar o site da Veja e fazer seu politicomêtro

DEPOIS DO TESTE NÃO ESQUEÇA DE COMENTAR. VALEU!!!

sábado, 22 de agosto de 2009

A CIDADANIA ESTÁ À UM "CLIK"

A CIDADANIA, muito mais do que teoria é prática, pois são as atitudes que fazem a diferença.
Aqui está uma oportunidade de você também participar fazendo a diferença, basta um "CLIK" para exercer sua cidadania.
O site "Click to Give@ - The Hunger Site" foi fundado com foco no poder da internet numa específica necessidade humanitária, a erradicação da fome mundial. Desde que foi lançado em Junho de 1999, o site foi estabelecido como um lider no ativismo mundial, ajudando a nutrir os famintos do mundo. Até hoje, mais de 220 milhões de visitantes tem dado mais de 300 milhões de caixas de alimentos. E após todo esse sucesso o "The Hunger Site" foi além das expectativas e lançou mais cinco campanhas, tornando-se um maravilhoso exemplo de Cidadania.
Através de um simples "clik", gastando menos de 5 minutos de nosso tempo, os patrocinadores desses sites farão uma contribuição em nosso nome.
"Clik" na imagem correspondente à campanha da sua escolha (preferencialmente em todas) e participe!



The Hunger Site * Free Food - Pela luta contra a fome. Os cliques financiam a compra de alimentos para os necessitados.


The Breast Cancer Site - Pela saúde das mulheres.
Os cliques financiam mamografias gratuitas.


The Child Health Site - Pela saúde das crianças. Os cliques financiam cuidados de saúde a crianças desfavorecidas.


The Literacy Site - Pela educação. Os cliques financiam a compra de livros para crianças.

The Rainforest Site - Pela preservação da Natureza. Os cliques financiam a protecção da floresta tropical


The Animal Rescue Site - Pela proteção dos animais. Os cliques pagam comida para animais famintos.


Participe desta Ação de CIDADANIA. Quanto mais cliques forem recebidos, mais ajuda receberão os que precisam. Faça esse pedido também à seus amigos, familiares e conhecidos.

"Exercer a cidadania é, acima de tudo, buscar uma sociedade melhor para todos, a fim e que exista mais liberdade, justiça e solidariedade. Você pode ser mais cidadão."

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

NOVIDADES NO AR!!!!


A partir de agora, dois novos espaços estão disponíveis no CLIK CIDADANA:

"Clik Vídeos": Onde você pode conferir alguns vídeos interessantes e muito legais que trazem uma mensagem muito bacana de cidadania;

"Clik Filmes": Espaço onde coloco algumas sugestões de filmes, que além de muito bons, tratam de temas relacionados ao cotidiano da juventude e nos inspiram para a construção de valores cidadãos.

Aproveitem...

sábado, 15 de agosto de 2009

Gestão Escolar e o exercício da ciadania... - Considerações Finais e Referências

4. Considerações finais

O cenário político, econômico e histórico respalda a construção de sujeitos, de certa forma, distantes de um conceito de Cidadania, fundamentado na conquista de direitos e deveres; na participação social; na autonomia; na responsabilidade pela coletividade. Logicamente, não se pode esquecer que houveram momentos marcados, significativamente, pela organização popular e pela disseminação de opiniões divergentes à postura dos grupos opressores. No entanto, os trâmites do sistema capitalista nunca deixaram de zelar pela construção de ideologias, legitimadoras de seu poder e, desta forma, responsáveis pela fortificação de uma sociedade inerte, passiva, incapaz de contestar.
Neste sentido, o estudo realizado permitiu a construção de vários indicadores que nos conduzem para o já comentado “déficit de cidadania”. Se, nos mais diversos momentos históricos e, inclusive, em diversos contextos da atualidade, os sujeitos defrontaram-se ou defrontam-se com a “timidez de atitude” por consideram-se pouco instruídos, podemos perceber que tal timidez não é própria desta condição, no entanto, acomete também sujeitos mais instruídos: os jovens que já se encontram no ensino médio, por exemplo.
Deve-se considerar que os jovens pesquisados, em sua maioria, possuem “bons acessos” e são proprietários de um conhecimento significativo. O estudo deu a perceber que eles já estão dotados de uma certa noção acerca de categorias básicas que compõe o conceito de Cidadania, tais como direitos, deveres, participação social e política, no entanto, foi verificada a existência de deficiências quanto à sua postura pessoal diante das mais diversas questões que envolvem o contexto social. Dificilmente, eles se colocam como protagonistas da realidade; como sujeitos autônomos, com capacidade para organização e mobilização. Na maioria das ocasiões, “terceirizam a cidadania”, responsabilizando o Estado, o “outro” pelas transformações, ou apóiam-se em opiniões já construídas, com base em interesses de grupos específicos e/ou dominantes. Em decorrência disso, também encontram dificuldades na identificação de deficiências no seu processo de formação e participação na vida social.
A partir da análise do projeto de vida de parte dos sujeitos da pesquisa, que parcialmente o definiram, percebemos sua preocupação com a formação, com o futuro profissional e pessoal, no entanto, não foram detectadas perspectivas em relação à coletividade. Suas “vontades” centraram-se num sucesso individual, que, logicamente, não pode ser desmerecido, mas que revela indícios de fortalecimento de preceitos disseminados pelo sistema, baseados na competição; na superficialidade; na imediaticidade.
Também se deve considerar que os jovens, quando indagados acerca das soluções que apontam para melhorar seu contexto pessoal e social, revelaram, ora, uma necessidade pessoal de posicionarem-se e de agirem em prol ao desenvolvimento de relações sociais de cooperação; ora, revelaram um certo desânimo diante das problemáticas que assolam a sociedade, ou mesmo, colocaram-se como “pequenos” diante das situações. Tal sentimento de incapacidade, já vem sendo percebido, ao longo da história, nos mais diversos segmentos e tem sido responsável pela construção de uma sociedade acomodada e pouco ativa.
De forma geral, consideramos que este estudo poderia ter recebido uma amplitude maior, mas foi envolvido por algumas limitações. Também se deve ressaltar que, apesar de a aplicação dos questionários ter sido tranqüila, percebemos um tratamento um tanto indiferente por parte dos jovens alunos, visto que foram entregues 36 questionários e destes, apenas 24 foram respondidos e entregues.
Apesar do surgimento de tais limitações e diante da constatação de que alguns aspectos e elementos acerca do exercício da Cidadania ainda são pouco conhecidos e/ou reconhecidos pela população pesquisada, observa-se a necessidade de uma discussão ampliada a respeito dentro das escolas públicas já que se constituem como local primordial de construção da cidadania.
A reflexão, por parte das escolas em geral, acerca dos conteúdos trabalhados em sala de aula é de suma importância. É essencial, no entanto, que se reflita até que ponto os conteúdos que são contemplados no processo de aprendizagem informam e educam para o exercício da Cidadania. Em alguns casos, a preocupação central dos docentes limita-se a uma execução fiel do plano de ensino. Esses acabam por deixar de lado a reflexão acerca de seu posicionamento dentro da escola; acerca da importância de não somente ensinar o aluno a competir, mas também de ensinar ao aluno que ele vive dentro de uma sociedade onde as pessoas não são tratadas de forma igual, mas deveriam ser; onde as pessoas não possuem o mesmo poder aquisitivo, mas deveriam possuir; onde a maioria das pessoas não participa ativamente, não se posiciona, não pensa na coletividade, mas deveria assim o fazer.
A Escola é somente uma das inúmeras fontes de conhecimento a que os jovens têm acesso, mas pode fazer a diferença, pois possui o poder de, por meio do contato cotidiano dos docentes com os alunos, capacitar não para a “pobreza política” e para a acomodação, mas para a autonomia de pensamento e para a “participação social”, esclarecendo, inclusive, que a indiferença é um dos elementos que impede os sujeitos de fazerem a “diferença” no espaço em que vivem.
Do ponto de vista docente, para que a escola possa realmente ser um lugar de educação para a cidadania se faz necessário algumas mudanças no que se refere à formação de professores. Para se criar uma escola capaz de desenvolver uma autonomia dos saberes, a democracia e a capacidade dos alunos em construir e defender um ponto de vista pessoal numa ação coletiva em que a escola se insere é preciso dar condições de trabalho dignas aos professores, o que compreende sua valorização como profissional; apoio de outros segmentos da sociedade, de modo especial a família; uma formação adequada; entre outros.
Percebemos, enfim, que a necessidade de um trabalho que traga reflexões acerca do exercício da cidadania na vida dos jovens, abre um campo de pesquisa infindável para diversas outras pesquisas e estudos que visam pensar programas que possam garantir o desenvolvimento dos indivíduos de forma integral.

"Para qualquer esclarecimento ou dúvidas possíveis, quero deixar aqui afirmado que, as referências abaixo listadas, foram tomadas como base para a realização de todo o TCC, postado aqui neste Blog em 4 partes."



REFERÊNCIAS


ALVAREZ, Marcos César. Cidadania e direitos num mundo globalizado, Perspectivas, São Paulo, n. 22, p. 60-78, 1999.

BALEEIRO, Maria Clarice; SERRÃO, Margarida. Aprendendo a ser e a conviver. São Paulo: FTD, 1999. 382 p.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em:
http://www.unifesp.br/reitoria/reforma/ldb.pdf

BRASIL.
Constituição Da República Federativa Do Brasil De 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituiçao.htm

CORRÊA, Darcísio. A construção da cidadania: reflexões histórico-políticas. 4. ed. Ijuí: Ed. UNIJUÍ, 2006.

COUTINHO, Carlos Nelson. Cidadania e modernidade, Perspectivas, São Paulo, n. 22, p. 41-59, 1999.

COVRE, Maria de Lourdes Manzini. O que é cidadania? São Paulo: Brasiliense, 1991. 78 p. (Primeiros Passos).

DAGNINO, Evelina (org.). Anos 90: política e sociedade no Brasil. São Paulo: Brasiliense,1994. 172 p.

DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. 9ª edição, São Paulo: Cortez Editora; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2004. 288p.

DEMO, Pedro. A Educação do Futuro e o Futuro da Educação. Campinas, SP: Autores Associados, 2005. 191p.

DEMO, Pedro. Desafios modernos da educação. 13ª edição, Editora Vozes, Petrópolis, 2004. 272p.

DEMO, Pedro. Política Social, Educação e Cidadania. São Paulo: Papirus, 1996. 124 p.

JACOBI, Pedro. Políticas sociais e ampliação da cidadania. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2002. 152 p.

LÜCK, Heloísa. Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto à Formação de seus Gestores. Em Aberto, Brasília, V 17, n. 72p. 11-33, fev/jun 2000.

PERRENOUD, Philipe. As competências para Ensinar no Século XXI. A formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002, 176 p.

PERRENOUD, Philipe. Escola e Cidadania: O papel da escola na formação para a democracia. Porto Alegre: Artmed, 2005, 184 p.

TONET, Ivo. Cidadania ou emancipação humana. Espaço Acadêmico. Nº 44 – Janeiro de 2005. Disponível em:
www.espacoacademico.com.br. Acesso em: 15 nov. 2007.
VAIDERGORN, José (org.). O direito a ter direitos. Campinas: Autores associados, 2000 (Polêmicas do nosso tempo).

Gestão Escolar e o exercício da cidadania... - 3ª Parte

3. A CIDADANIA presente na faixa etária juvenil: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

A adolescência/juventude é uma fase de grande relevância social que se caracteriza por um afloramento maior das ditas emoções, as quais marcam o surgimento de inúmeras contestações e questionamentos. O jovem percebe falhas nas concepções e definições construídas pelos pais e caminha rumo a construção de valores próprios, o que lhes propiciarão ver o mundo por uma outra ótica. Tal fato, por sua vez, possui muitos condicionamentos, que se referem, por sua vez, à consistência dos valores repassados pela família e ao poder de sedução dos valores que possuem como contrapartida outras fontes.
O processo de construção da identidade exige a tomada de consciência de capacidades e habilidades adquiridas, tais como de sentimentos e anseios vivenciados. Os questionamentos confrontam-se linearmente com a família, o grupo, a cultura e a sociedade e devem ampliar a autopercepção acerca da identificação de necessidades e limites, valores pessoais, dificuldades e potencialidades, alem de favorecer iniciativas relativas à vida pessoal.
Diante da descoberta da própria identidade é de suma importância que o jovem considere também a importância de descobrir-se como ser que não vive somente para si, mas que inclui sentido em sua vida a partir da vivência com os outros indivíduos que compõe a sociedade, ou seja, torna-se relevante a adoção de comportamentos que englobem uma prática cidadã.
Deve-se considerar, no entanto, que a história de todo ser humano tem início muito antes de seu nascimento, recebendo influências diretas e indiretas do contexto físico e social que a acolhe. No decorrer de seu desenvolvimento, várias fontes atuam no repasse de informações e valores que, construindo um processo amplo e abrangente, define padrões de pensamento e atitudes. A práxis vai sendo remodelada de acordo com as relações que são estabelecidas e cultivadas dentro de um meio previamente determinado.
Durante a nossa vida podemos afirmar que temos dois nascimentos fundamentais: o primeiro é o nascimento para o mundo, para a família, para a espécie, chamado de “nascimento real” e, o segundo, é o nascimento para nós mesmos e para a sociedade, que ocorre na adolescência. No período da infância a criança está muito vinculada aos pais, são eles que pensam, desejam, idealizam e escolhem a vida da criança. Já a adolescência/juventude é uma fase que se caracteriza por um afloramento maior das emoções, as quais marcam o surgimento de inúmeras contestações e questionamentos, onde o desenvolvimento natural lhe comunica sua independência, a qual é encarada de forma condizente a preparação recebida até então.
O adolescente/jovem não aceita mais o que os outros determinam para a sua vida, percebe falhas nas concepções e definições construídas pelos pais e caminha rumo a construção de valores próprios, o que lhes propiciarão ver o mundo de uma outra forma. É um momento de descoberta de si mesmo, de seus desejos e projetos. Tal fato, por sua vez, possui muitos condicionamentos, que se referem, por sua vez, à consistência dos valores repassados pela família e ao poder de sedução dos valores que possuem como contrapartida outras fontes.
O processo de construção da identidade exige a tomada de consciência de capacidades e habilidades adquiridas, tais como de sentimentos e anseios vivenciados. Os questionamentos confrontam-se linearmente com a família, o grupo, a cultura e a sociedade e devem ampliar a autopercepção acerca da identificação de necessidades e limites, valores pessoais, dificuldades e potencialidades, alem de favorecer iniciativas relativas à vida pessoal.
Diante da descoberta da própria identidade é de suma importância que o jovem considere também a importância de descobrir-se como ser que não vive somente para si, mas que inclui sentido em sua vida a partir da vivência com os outros indivíduos que compõe a sociedade, ou seja, torna-se relevante a adoção de comportamentos que englobem uma prática cidadã.
Desta forma, se na infância a existência da criança possuía ligação direta ao projeto dos pais, na adolescência/juventude tal ligação é vista como empecilho para a concretização de ideais e anseios decididamente pessoais. Naturalmente, deve surgir uma vontade relevante na definição de objetivos e metas individuais. A definição de tais objetivos e metas acontece com autonomia e liberdade se as devidas condições lhe forem oferecidas. Se o individuo for induzido a decidir a partir de opiniões alheias, dificilmente alcançará um nível positivo de realização. Devido ao menor contato com aspectos relevantes da vida humana, condizente a fase das descobertas, os ideais de vida vão sendo reformulados conforme nível de maturidade conquistado. À definição de tais metas e objetivos dá-se o nome de “Projeto de vida”.
O projeto de vida consiste, portanto, na elaboração de diretrizes básicas que definirão os rumos que serão perseguidos por determinado indivíduo, dentro de um determinado período de tempo, sendo que, sua construção não pode ser feita por outrem, já que as coordenadas de tal projeto devem ser elaboradas a partir de valores estritamente pessoais para que se obtenha como fim último e não permanente a realização. Pelo fato de os seres humanos viverem em sociedade, obviamente são influenciados pelo contexto no qual estão inseridos; constroem perspectivas e adotam interesses a partir de padrões pré-estabelecidos. O que, por vezes, não permite que tais indivíduos possam construir-se de forma integral e liberta de ideologias.
Os seres humanos são dotados de inúmeras vontades e anseios. No entanto, nunca poderão realizar tudo o que é caracterizado como vontade. Primeiro porque ninguém dispõe de um tempo ligeiramente suficiente para tal feito; e segundo, porque muitas das vontades não estão inseridas em ambientes sociais, financeiros, ou mesmo, culturais permissíveis. As escolhas realizadas, por sua vez, são responsáveis pela concretização de um determinado futuro, regido por vários acontecimentos, sendo que, ao mesmo tempo, estas mesmas escolhas são responsáveis pela não concretização de outros “futuros”, que aconteceriam se várias outras opções não fossem descartadas. A interligação e a seqüência das escolhas define se um projeto de vida será bem sucedido ou não.
O projeto sempre é construído a partir da visão das próprias capacidades e aptidões. Vivencias anteriores e relações que foram estabelecidas são fortes determinantes em todas as decisões. No processo de construção do projeto de vida, o jovem ainda sente a necessidade de preenchimento de alguns espaços de sua identidade, decorrentes dos limites encontrados na aquisição de respostas de importância indiscutível.
A “memória social” de cada indivíduo torna-se a responsável pela forma como a vida é interpretada e nela revela-se a construção de valores e regras socialmente elaboradas e adquiridas, que determinam comportamentos variados entre os indivíduos perante os mais diversos acontecimentos que fazem parte do seu ciclo vital. A partir dos conceitos formulados, os fatos, as pessoas, as formas de pensar de outrem são aceitas ou repudiadas, são julgadas como boas ou más. Tais conceitos concentram grande poder sobre o comportamento e as decisões dos indivíduos diante de si mesmos e da coletividade.
Quando a construção do projeto de vida englobar, além de interesses meramente individuais, metas que abranjam segmentos coletivos, pode-se perceber atitudes voltadas ao exercício da cidadania. As metas elaboradas devem explicitar determinado entendimento acerca da existência de direitos e deveres e da responsabilidade perante a constituição dos mesmos.

3.1 Os jovens e a construção de um projeto de vida que englobe preceitos de cidadania

A pesquisa pretendia abranger 36 alunos de 06 escolas públicas da cidade de Chapecó, estado de Santa Catarina, mas no momento em que foram recolhidos os questionários, foram recebidos somente 24 dos 36 que foram entregues aos alunos, portanto, a população pesquisada compreendeu 24 jovens estudantes de1ª, 2ª e 3ª séries do ensino médio de 06 escolas da rede pública de ensino, todas sediadas no município de Chapecó. A faixa etária de tal público compõe-se do seguinte modo: 03 (13%) pessoas com 14 anos; 08 (33%) pessoas com 15 anos; 04 (17%) pessoas com 16 anos; 07 (29%) pessoas com 17 anos e 02 (08%) pessoas com 18 anos. Sendo que dessas, 15 (54%) são do sexo feminino e 09 (46%) são do sexo masculino.

Quanto à construção de um Projeto de Vida, 05 (21%) jovens ressaltaram que ainda não possuem um Projeto de Vida definido. Desta forma, os outros 19 (79%) alunos, dentre a população pesquisada, responderam que já tem definido algo em relação ao futuro.

A população que respondeu “sim” a questão demonstrou ter a noção de que a construção de um projeto de vida refere-se ao planejamento do futuro trazendo a educação, o trabalho e a família como sendo um tripé para a construção de seu projeto de vida.
Dentre os 19 (79%) que demonstraram a existência de um projeto de vida pré-definido, 17 (70,8%) referiu-se à formação/graduação como algo relevante, entre esses, 11 (45,8%) mencionaram o desejo de freqüentar um curso de graduação específico, e 8 (33,3%) demonstraram dúvidas em relação ao curso que desejam freqüentar; a formação de uma família aparece como algo importante para 08 (33,3%) dos que responderam “sim” e 15 (62,5%) incluíram em sua descrição a preocupação com o trabalho/emprego.
Ainda dentre esses 19 (79%), apenas 3 (12,5%) referiram-se ao coletivo, percebendo que podem ajudar outras pessoas e que seu projeto também envolve e interfere na vida de outras pessoas:

“... Mais do que tudo ser muito feliz e fazer mais feliz ainda as pessoas que estiverem a minha volta.” (Questionário 04)
“... No meu futuro vou ser profissional qualificado e ensinando as pessoas que querem aprender.” (Questionário 10)
“Consiste em estudar bastante, conseguir bons empregos, sem precisar fazer mau a ninguém, consiste também em construir novos ideais, participando das minhas decisões e das decisões de toda a sociedade.” (Questionário 16)


3.1.1 Cidadania, Processo de Formação e Participação Social

No que se refere ao significado da cidadania, 12 (50%) alunos atrelaram a noção de cidadania à conquista e a garantia de direitos, sendo que, destes, 11 (45,8%) consideram que a cidadania também se encontra vinculada a questão dos deveres, avaliando que os deveres se concretizam numa categoria central da cidadania.
Alguns jovens ligaram o significado da cidadania ao ato de votar, o que demonstra que, para muitos indivíduos ou grupos sociais, a cidadania se limita aos direitos políticos, e desvincula-se do agir dentro dos direitos civis e sociais, conforme classifica COVRE (1999, p.11). Segue, abaixo, um exemplo desta afirmação:

“Para mim, todas as pessoas tem direito à cidadania, pois somos todos cidadãos com direitos e deveres. Mas. Muitos esquecem de exerce-la, pois acham indiferente o fato de poderem expressar sua vontade e opiniões através do voto, por exemplo”. (Questionário 02).

No que condiz ao ato de votar, este é apenas um dos elementos que compõe os direitos políticos. Identificou-se, na pesquisa, a necessidade de se aprofundar categorias centrais da cidadania, que não se sintetizam somente nos direitos políticos, civis e sociais e nos deveres que foram construídos como contrapartida, mas na compreensão acerca da forma como tais direitos e deveres vieram a fazer parte da vida das pessoas e da forma como eles acontecem concretamente.
Alguns pesquisados vincularam tal noção à participação social, que Demo define como sendo “um exercício da democracia”, relacionando-a à capacidade conquistada de envolvimento nas questões que dizem respeito à coletividade:

“Cidadania para mim são deveres e o direito das pessoas, que sempre são usadas para o bem da humanidade e não só para si próprio e sim em um conjunto em um todo” (Questionário 04).
“É o ato de expressar nossas decisões e opiniões em determinados assuntos e lugares. É ter o poder e o dever de decidir o futuro da sociedade (país, escola, estado, município, etc...)” (Questionário 16).

Um dos entrevistados demonstrou que entende a cidadania como algo distante, que não lhes convém; como o fazer e o pensar de grupos alheios:

“Seria pessoas ou grupos sociais que lidam com as causas da sociedade” (Questionário 11).
Outras categorias foram identificadas, tais como a de expressar opinião: “... é poder ouvir e ser ouvido. É opinar pelo que é melhor ou não para a sociedade.” (Questionário 03); igualdade: “Igualdade entre todos, ser cidadão” (Questionário 13); e solidariedade: “É ser uma pessoa solidária com a sociedade” (Questionário 15).
Tais definições de cidadania, segundo os pesquisados, tem como base estudos realizados na escola e/ou em outros espaços; vivências ligadas ao cotidiano das relações interpessoais e com a comunidade; a influência dos meios de comunicação (TV, Internet, revistas, etc); a experiência de participação em eleições e em atividades beneficentes. Percebeu-se que os elementos que compõe a definição que cada um possui acerca da cidadania, vinculam-se a maneira como tal definição foi apropriada. Alguns conceituaram a cidadania tendo como base as categorias divulgadas pela mídia; outros basearam-se em teorias estudadas; outros ainda ligaram a concepção de cidadania às pessoas que fornecem algum tipo de ajuda material à outras pessoas, pertencentes a grupos oprimidos. Em síntese, cada um construiu sua concepção a partir dos meios aos quais teve acesso.
No que se refere, especificadamente, à existência de conteúdos que tratem do tema Cidadania na formação escolar, 18 (75%) dos pesquisados responderam que tal assunto é mencionado esporadicamente e 06 (25%) alegaram que o tema é trabalhado com freqüência.

Os jovens pesquisados, de certa forma, possuem noção de algumas das categorias básicas da cidadania, no entanto, seria de fundamental relevância que a escola pudesse apropriar-se de forma mais marcante de tal tema, tendo em vista que a formação de cidadãos ativos favorece a construção de uma sociedade mais justa e voltada à concretização dos direitos humanos.
No que se refere ao nível de importância dado pelos sujeitos pesquisados, ao exercício da cidadania, todos os entrevistados definiram que cidadania é importante. Esses consideraram a cidadania como algo importante por favorecer a formação dos indivíduos; a formação da sociedade; a construção de uma sociedade melhor e por essa permitir a participação social.
A participação na eleição dos representantes políticos é um dos elementos que compõe o exercício da cidadania, no entanto, deve-se considerar que o exercício da cidadania, apesar de ser pensado por grande número de pessoas desta forma, não se restringe somente à escolha de governantes, ampliando-se para a conquista de direitos e deveres, inerentes a todas ás partes que compõe o todo social.
Os sujeitos da pesquisa, ao serem questionados em relação à importância da participação na eleição dos representantes políticos, posicionaram-se, em sua maioria, indagando que a participação nas eleições políticas tem grande implicância na definição dos rumos da sociedade.

Demonstraram, portanto, grande preocupação no que se refere às decisões que serão tomadas pelos representantes políticos e aos impactos que estas podem estar acarretando na sociedade. Tais pressupostos podem ser retratados nas respostas de alguns dos pesquisados:

“Importantíssimo. Pois são eles que irão nos representar e “dirigir” o país por nós. Eles são responsáveis para cuidar do país” (Questionário 03).
“Importantíssimo. Pois eles são que irão governar as nossas cidades, eles são como uma mãe que tem que cuidar de seus filhos” (Questionário 04).
“Importantíssimo. Porque são eles que vão fazer a diferença para melhorar ou piorar nossas situações” (Questionário 24).

Percebe-se que, de certa forma, uma consciência que identifica os sujeitos como “seres políticos”, portadores de um poder pautado não somente no direito de escolher os representantes políticos, mas no direito de optarem e posicionarem-se, de forma autônoma, diante das mais diversas problemáticas que afligem o contexto social contemporâneo.
Nas citações abaixo, também são identificados tais elementos, agora complementados por uma perspectiva que identifica a escolha de representantes que atendam, não aos interesses específicos, mas, a interesses do coletivo, assim como, o compromisso de todos na concretização das transformações sociais:

“Importantíssimo. Porque assim você vai tomar frente no futuro de seu país, colocando alguém em que você confie e que vá fazer um bom trabalho”(Questionário 17).
“Importante. Porque através dela decidimos o futuro de todos nós” (Questionário 13).
“Importante. Assim conseguimos definir as pessoas que irão nos representar nas câmaras; as pessoas querem cidadania e igualdade social, então devemos escolher os representantes que possam representar nossas idéias e mudar a vida do povo” (Questionário 10).
“Importantíssimo. Porque permite que eu expresse a minha própria opinião a respeito da política e participe do futuro desenvolvimento do país” (Questionário 09).

Outras afirmações possibilitaram a identificação de algumas categorias que fazem parte do exercício da cidadania, tais como direitos, deveres, democracia, justiça:
“Importante. Pois cada um de nós tem o direito de escolher quem vai governar nosso país, estado ou cidade” (Q7)
“Importante. Pois aí você poderá ou terá o direito de questionar sobre aquela liderança” (Q12)
“Importantíssimo. Porque é um direito meu” (Q 15)

No entanto, não se deve deixar de ressaltar que 1 ( 4,1%) dos sujeitos pesquisados considerou indiferente a participação na eleição dos representantes políticos:
“Indiferente. Porque político são pocos bons, o resto só pensa no salário no fim do mes” (Questionário 06).

O exercício da cidadania também pode ser identificado por meio da participação ou da realização de atividades em alguma entidade, movimento ou associação com fim social. No que se refere aos sujeitos pesquisados, a maioria declarou não desenvolver atividades relacionadas ao meio social. Apenas 25% dos pesquisados sinalizaram ter participado ou participar de atividades que envolvem a coletividade. Tais atividades estiveram ou estão relacionadas à participação junto a clubes, igrejas, comunidades carentes, grupo de jopvens. Apesar disso, 21 (87%) demonstraram preocupação com os problemas coletivos e apenas 3 (13%) responderam que não costumam pensar nas questões de natureza coletiva.

Quando os jovens foram questionados acerca dos problemas da sociedade moderna, estes realizaram várias menções, incluindo soluções que, ao seu ver, seriam mais viáveis. As problemáticas mais citadas centraram-se na questão das desigualdades sociais, violência e do meio ambiente. Para tais problemáticas são apontadas como soluções a melhor distribuição da renda, maior investimento na educação e a conscientização de todos:

“A desigualdade social, talves se a renda fosse mais distribuída, melhor distribuída” (Questionário 08).
“A desigualdade social, desemprego... a solução é a educação, porque sem estudo dificilmente se chega a algum lugar” (Questionário 20).
“Os maiores problemas da sociedade moderna são violência, fome, drogas e agressão ao meio ambiente. As soluções seriam maior conscientização dos jovens e sociedade em geral” (Questionário 11).

Junto com as desigualdades sociais, foram citados como problemas que afligem a sociedade moderna questões que envolvem o relacionamento interpessoal e sócio-político, tais como: a falta de respeito, o individualismo e a crise de valores; e questões que envolvem as relações sociais dos indivíduos, tais como: a corrupção, a pobreza, a miséria, as drogas.
Os problemas que envolvem o relacionamento entre as pessoas, na concepção dos pesquisados, seriam solucionados se as pessoas se percebessem como iguais, com direitos iguais e com deveres iguais e na tomada de consciência, individual e coletiva. Quanto às problemáticas mais inerentes às condições de vida da população, as soluções apontadas demonstraram que a eficiência na construção das resoluções deve partir das classes mais abastadas e, de forma central, das ações governamentais. Tais pressupostos, tendo como base, indiretamente, a falta de poder das classes subalternas, desresponsabilizam os indivíduos de exercerem a sua cidadania, lutando pela permanência e pela conquista de novos direitos, aliás, ao apontarem como solução os governos elaborarem projetos, percebe-se a não consciência de que os projetos governamentais são inspirados nas demandas identificadas dentro de determinada realidade e nas pressões populares, com vistas à garantia de direitos.
Outra situação que vale a pena ser ressaltada é que, 05 (20,8%) dos sujeitos entrevistados citaram como solução para vários dos problemas sociais seria maior investimento na educação, sendo que um deles citou como um dos problemas sociais a educação de baixa qualidade. Isso nos faz pensar que a juventude sabe muito bem o quanto vale uma boa educação para a construção de uma vida mais justa, tanto individual como coletivamente.
“Corrupção, educação de baixa qualidade e violência. Tudo pode ser resolvido se os políticos tiverem mais comprometimento e usarem o dinheiro público em benefício da população. A sociedade também deve estar presente, para cobrar melhores resultados dos políticos” (Questionário 16).

“Violência e ignorância. Ter mais respeito, compreensão e educação” (Questionário 13).

“Um dos maiores problemas da sociedade são as drogas, a forma com que eu penso deveria acabar com os problemas das drogas é ter mais ensino, mais incentivo, mais palestras, conselhos...” (Questionário 10).

“Hoje as pessoas não se respeitam mais, tanto no trânsito, quanto no trabalho, e às vezes, até na família. Problemas com classes inferiores são grandes e representativos na minha opinião a solução dos problemas, é um grande investimento na educação, formando pessoas cultas e educadas” (Questionário 02).

Quando questionados sobre as deficiências no seu processo de participação social, 25% dos sujeitos envolvidos na pesquisa ressaltaram não identificar deficiências em seu processo de formação ou não saber do que se tratava, sendo que 75% admitiram a existência de deficiências em seu processo de participação social que são caracterizadas pela falta de comprometimento com as questões que envolvem a coletividade. Cada sujeito vivencia um estágio diferente no reconhecimento das deficiências de participação, sendo que o reconhecimento de tais deficiências pode ser considerado como o primeiro passo para que o sujeito se construa como cidadão ativo, portador de direitos. Ao passo que, os sujeitos que não identificam deficiências em seu processo de participação, geralmente, são os sujeitos portadores das maiores deficiências.
A pesquisa também buscou listar as soluções que os jovens apontam para melhorar seu contexto pessoal e social. Alguns dos sujeitos pesquisados sugeriram uma preocupação e um envolvimento maior com as causas coletivas, por meio da conscientização, da modificação de conceitos adquiridos, do posicionamento diante das mais diversas problemáticas que envolvem o contexto atual, do desenvolvimento da percepção de que uma sociedade é construída por sujeitos que pensam em conjunto e que, logo, não devem centrar suas atenções somente para o âmbito particular:
“Se interessar pelos problemas do mundo, a maioria dos jovens mostram-se desinteressados pelo seu futuro, ou pelo futuro do mundo em que vivemos” (Questionário 01).
“Agindo em grupo” (Questionário 08).
“Participar dela ativamente, propondo mudanças, discutindo ações e pensar nas decisões que toma” (Questionário 17).
“Se conscientizar que sua participação é importante, encontrar novas maneiras de ajudar o lugar onde vivem, pelo menos e se envolver em projetos sociais e ambientais” (Questionário 19).
“Os jovens são o futuro da sociedade então acho que os mesmos deveriam estar sempre por dentro dos assuntos da sociedade e lutar pelos direitos que beneficiam a maioria” (Questionário 21).

Também se enfocou a formação de movimentos sociais; o combate à violência e ao tráfico; a participação em projetos sociais; o conhecimento da realidade e a educação como possíveis soluções:

“Estudar, pois é através dele que a sociedade se desenvolve” (Questionário 13).
“Estudar acima de tudo. Planejar melhor a vida. Arrumar um bom emprego e o resto é conseqüência das suas próprias ações, sejam elas boas ou ruins, a decisão é sua” (Questionário 20).
“Tomar consciência de que seu voto é importante e votar, participar mais de movimentos, ações, manifestações que abordam coisas de seu interesse e se organizarem para reivindicar de forma passiva pelos seus direitos e interesses” (Questionário 09).

Aqui destaco novamente o aparecimento do quesito educação como sendo um dos meios onde o jovem pode estar contribuindo para melhorar a sociedade onde vive. Essas respostas evocam uma atenção especial sobre o tipo de educação que os jovens estão buscando em nossas escola e a educação que os mesmos estão recebendo neste espaço. Vale a pena questionar se a educação que visa somente o preparo do jovem para os concorridos vestibulares realmente o ajudará a ser um cidadão preocupado com o bem da sociedade como um todo, preocupado com a coletividade?Percebeu-se, no contexto juvenil, uma realidade caracterizada por tentativas e por desistências. Parte dos jovens possuem consciência da importância do exercício da cidadania, das deficiências que acometem a sua participação social e dos elementos que podem construir uma sociedade mais centrada no bem-comum, no entanto, uma segunda parte dos sujeitos não tem interesse em ter uma participação ativa dentro da sociedade e não reconhecem possíveis deficiências, atribuindo a outrem a responsabilidade pelas transformações societárias.

Gestão Escolar e o exercício da cidadania... - 2ª Parte.

2. O papel da educação no exercício da cidadania: ALGUMAS RELAÇÕES ENTRE a prática docente e discente

A prática da cidadania encontra-se estreitamente vinculada à educação. Esta ligação data da antiguidade, podendo ser detectada já no mundo grego, onde a educação era condição indispensável aos cidadãos. O exercício da cidadania na atualidade também predispõe condicionamentos e, dentre estes, a educação apresenta-se como primordial. No entanto, inúmeros são os obstáculos existentes em nossa sociedade em relação a esta. O próprio acesso à educação não é concedido a grande parte da população e quando esse se faz é, muitas vezes, de forma extremamente precária.
As políticas de educação, seguidamente têm sido guiadas pela lógica da tutela e favor, uma vez que o Estado tem sido, historicamente, utilizado como forma de promover interesses políticos individuais. Nesse viés o Estado, em muitos momentos, deixou de ser patrimônio e espaço que favorece a acessibilidade de direitos pelo todo social. Valorizando assim a educação formal, em seu aspecto puramente técnico de reprodução de conceitos prontos, desconsiderou, portanto, a necessidade de uma formação cidadã.
A preocupação com a qualidade da educação tem se dado de forma exacerbada com a contabilização de índices e indicadores pré-estabelecidos, sendo desconsiderada, muitas vezes, a visão crítica, reflexiva, o aspecto pedagógico.
Apesar de todas as suas limitações, a escola exerce papel de suma importância na formação moral. Por meio de suas atividades e dos educadores que atuam em sua organização institucional, a escola é disseminadora de valores e regras, educando as novas gerações para a responsabilidade, a partilha, o senso de comunidade, a paz. Entretanto, muitas pessoas afirmam que se a escola realmente cumprisse com esse papel, muitos dos problemas que existem hoje não seriam realidade e, em parte, elas têm razão. Todavia, elas esquecem que a escola é fruto da sociedade e possui uma “autonomia relativa”, o que não permite a ela, em determinados momentos, transmitir valores que uma parte da sociedade não vive ou só respeita da boca pra fora.
Perrenoud (2005, p.10) afirma, em outras palavras, que o antigo ditado popular “a fruta não cai longe do pé”, também vale na relação entre sociedade e escola:

"Um sistema educacional não pode ser muito mais virtuoso que a sociedade da qual extrai sua legitimidade e seus recursos. Se nossa sociedade é individualista, se nela todos vivem fechando os olhos às injustiças do mundo, limitando-se a tirar o corpo fora, é inútil exigir da escola que professe valores de solidariedade que a sociedade ignora ou escarnece no dia-a-dia em suas mídias, em sua vida política, naquilo que se passa nos estádios, nas empresas, nos bairros (PERRENOUD, 2005, p.10)."

A educação para a cidadania faz parte da identidade da escola, portanto, mesmo que uma grande parte da sociedade cultive valores que vão contra a cidadania, ela tem o dever de se posicionar a favor da comunidade, trabalhando para desenvolver uma identidade e competências cidadãs. Todavia, apesar de que a escola tenha grande força na luta pela cidadania, ela deve ser acompanhada por outras frentes da sociedade, tais como: emprego, segurança, divisão das riquezas, saúde, sistema judiciário e penal, entre outras.
A sociedade deve entender que a escola é permeada pelas mesmas contradições que existem nela, portanto, a escola não pode assumir sozinha a missão de tornar o mundo mais justo e cidadão, pois seria uma missão impossível, mas nela pode-se encontrar caminhos que favorecerão à concretização de uma sociedade melhor.
Sabemos, frente a realidade em que trabalhamos nós professores, que trabalhar para o desenvolvimento da cidadania na escola não é algo muito simples e óbvio, para que isso seja possível faz-se necessário abrir mão de algumas coisas e reorganizar as prioridades que regem o sistema educacional. Segundo Perrenoud existem três pontos a serem levados em consideração: a primeira seria permitir que os alunos construam o conhecimento e as competências para viver na complexidade de nossa sociedade; um segundo princípio seria utilizar os saberes construídos para desenvolver não só a razão, mas também a capacidade de conviver socialmente com respeito à maneira de ser e à opinião do outro e como terceiro ponto, o autor sugere a reconstrução dos projetos didáticos e pedagógicos para um trabalho mais intensivo e continuado sobre os valores e os conhecimentos que toda a democracia pressupõe.
Todos estes pontos acima citados requerem, para algumas instituições e organismos educacionais e principalmente para os professores, mudanças radicais. Demo questiona o papel das instituições e dos professores frente a essas mudanças necessárias para uma verdadeira educação para a cidadania. Muitos defendem as mudanças, mas, ao mesmo tempo, permanecem resistentes à mesma, pregando as mudanças somente para os outros:
"Todo professor tem consciência mais ou menos clara de que, como professor, está arquitetando mudanças fundamentais na vida do estudante, à medida que ele aprenda bem, saiba pensar, “leia” a realidade criticamente, percorra os estágios formais da educação. Essa consciência, porém, é acompanhada pela inconsciência de que, para motivar tamanha mudança na vida dos outros, impõe-se que a mesma mudança ocorra no professor. Não haveria absurdo mais comprometedor do que um professor que não aprende mais, ou, pior ainda, que sequer sabe aprender (DEMO, 2005, p. 106)."

De acordo com Perrenoud, o ponto de partida na escola seria o grau de cidadania dos professores. O autor questiona se os professores realmente vivenciam o ideal de uma educação mais democrática, de libertação, de valorização do pensamento, crítica e cultural e por fim conclui que a virtude ou cidadania dos professores depende muito mais do fato de pertencerem às classes médias do que à sua vocação pedagógica e afinidade com os valores intrínsecos à educação:

"... as classes médias encontram-se em uma posição moral relativamente confortável. Elas gozam de privilégios, mas não têm de sujar as mãos diretamente para mantê-los, pois não estão nos comandos... apóiam – por meio de seu trabalho, de seu consumo, de seu voto - um sistema social que torna a educação para a cidadania pouco confiável (PERRENOUD, 2005, p. 29)."

Em oposição ao que muitas vezes ocorre, a escola deve ser um espaço onde os alunos sejam compreendidos e preparados para serem sujeitos capazes de decidir, de pensarem suas escolhas, de construírem suas percepções de forma autônoma, de se posicionarem e de agirem perante as mais diversas situações. Para tanto a educação deve ser voltada para a emancipação, para a cidadania. Isto, com toda certeza, constitui-se num complexo desafio tanto no ensino público, como no ensino privado, pois exige uma mudança brusca de paradigmas há muito instituídos.

"... fazer da escola um modelo de prática democrática que leve as crianças a compreender, a partir de problemas concretos, quais são os seus direitos e deveres, e como o exercício da sua liberdade é limitado pelo exercício dos direitos e da liberdade dos outros (DELORS, 2004, p. 61)."

Delors, sugere ainda algumas práticas escolares que podem reforçar a aprendizagem da democracia na escola como: Elaboração de regulamentos, hoje chamados de normas de convivência; jogos de simulação onde os alunos possam experienciar como funciona uma instituição democrática; jornais escolares; exercício de resolução não-violenta de conflitos; entre outras. Entretanto, a educação para a cidadania não pode ser limitada nem ao espaço nem ao tempo da educação escolar, o que faz com que seja muito importante que a escola consiga envolver diretamente as famílias e outros membros da comunidade neste processo de educação.
De acordo com Demo, a escola, que objetiva a formação de cidadãos, deve ser vista como um local aberto ao diálogo e de troca e não de imposição, de reprodução. Deve constituir-se num espaço de expressão.

"O aluno precisa municiar-se de formação básica adequada, que lhe permita acesso sempre renovado ao saber estratégico, necessário para compreender o mundo e nele agir como sujeito. Em termos políticos o aluno precisa saber compreender e questionar a sociedade, participar como cidadão, ser membro ativo em seu meio (DEMO, 2004, p. 103)."

Uma educação com vistas à emancipação dos indivíduos, que propicie a construção e o acesso a uma cidadania que vá além dos livros, dos discursos, dos interesses corporativos, e que permeie o meio social, político, está prevista na nova LDB da educação de 1996. Segundo a Lei Federal nº 9.394/96, art 2º, a educação [...] tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A Constituição Federal de 1988 também faz menção a esta mesma diretriz no Cap. III, Seção I art. 205.
Deve-se constituir uma nova escola de nível médio, em que o seu contexto não mais seja formado por professores que impõe e alunos passivos, mas por um projeto de realização humana recíproca e dinâmica que envolve alunos e professores numa relação que deverá estar mediada não somente por conteúdos disciplinares isolados, mas também articulados com questões reais apresentadas pela vida comunitária, pelas circunstâncias econômicas, sociais, políticas e ambientais de seu entorno e do mundo. Esta “nova escola” deverá estar atenta às perspectivas de vida de seus partícipes; ao desenvolvimento de competências gerais, de habilidades específicas, de preferências culturais, priorizando também a formação de seus professores.
Tratando-se especificamente a gestão escolar, Lück afirma que um dos caminhos iniciais para uma educação para a cidadania e a democracia é a maneira como a escola é gerida. Se queremos uma educação democrática para os alunos, a gestão também precisa ser democrática.

"A criação de ambientes participativos é, pois, uma condição básica da gestão democrática. Deles fazem parte a criação de uma visão de conjunto da escola e de sua responsabilidade social; o estabelecimento de associações internas e externas. A valorização e maximização de aptidões e competências múltiplas e diversificadas dos participantes; o desenvolvimento de processo de comunicação aberta, ética e transparente (LÜCK, 2000, p. 27)."

A gestão democrática na escola, cria um ambiente favorável à educação da cidadania, pois gera uma autonomia nos diversos setores que fazem parte da organização escolar, fazendo com que as pessoas se sintam parte integrante do processo e não apenas um apêndice da mesma.
Ainda em relação a formação dos professores. Perrenoud afirma que os professores do século XXI devem ter duas posturas fundamentais: a prática reflexiva e a implicação crítica.

"A prática reflexiva porque, nas sociedades em transformação, a capacidade de inovar, negociar e regular a prática é decisiva. Ela passa por uma reflexão sobre a experiência, favorecendo a construção de novos saberes. A implicação crítica porque as sociedades precisam que os professores envolvam-se no debate político sobre a educação, na escala dos estabelecimentos escolares, das regiões e do país. Esse debate não se refere apenas aos desafios corporativos ou sindicais, mas também às finalidades e aos programas escolares, à democratização da cultura, à gestão do sistema educacional, ao lugar dos usuários, etc (PERRENOUD, 2002, p. 15)."

Perrenoud apresenta sete características que, a seu modo de ver, tornam o professor capaz de desenvolver uma cidadania adaptada ao mundo contemporâneo, em meio a seus alunos. São as seguintes: “Pessoa confiável; mediador intercultural; mediador de uma comunidade educativa; garantia da Lei; organizador de uma vida democrática; transmissor cultural; intelectual” (PERRENOUD, 2002, p. 14).
Ainda quando falamos do professor como um dos pilares da educação para a cidadania, lembramos que os professores fazem parte de uma classe profissional historicamente excluída, tanto que quando se mobiliza para reivindicar seus direitos é rechaçada por uma grande massa da população e não apresenta muita força. Sem nos aprofundarmos muito nas causas dessa fraqueza, quero lembrar o que Demo (2005) também fala, que é necessário que a sociedade volte a valorizar mais o professor para que assim possamos ter sucesso na educação para a cidadania:

"Para alcançarmos aprimoramento urgente do sistema educacional, a primeira providência é resgatar o professor, não porque seja sozinho referência única do processo educativo, mas porque é a referência mais sensível. Tudo na escola pode virar oportunidade de aprendizagem, desde que o professor aprenda bem, ganhe bem, sinta-se bem, realize-se profissionalmente (DEMO, 2005, p.106)."

Para assegurar uma educação para a cidadania, não basta acrescentar uma disciplina específica sobre cidadania na grade escolar. “De que serve ensinar o respeito, a tolerância, a cooperação se o sistema educacional pratica a segregação, a humilhação ou a competição?” (PERRENOUD, 2005, p. 13). A educação para a cidadania deve perpassar todas as disciplinas e todos os momentos da vida escolar, os programas pedagógicos, as relações e os modos de vida que perpassam o âmbito escolar.
Na maioria das matérias escolares, os objetivos a atingir e as competências a construir são suficientemente identificáveis para dar lugar a procedimentos de avaliação mais ou menos definidos e controlados; o caso é muito mais delicado na educação cidadã. Se alguns saberes são avaliáveis, as intenções que emanam dos comportamentos, das competências oferecem muito mais dificuldades nesse sentido. [...] talvez devamos admitir que essa educação comporta uma grande parte de competências não-avaliadas (PERRENOUD, 2005, P. 174).

Frente a essa realidade, muitos preferem deixar de lado tal educação, pois não acreditam nela, já que não é passível de mensuração. Os mais otimistas vêem nela um desafio no âmbito da liberdade e da não contradição entre os valores em que a escola se fundamenta e os que ela pretende transmitir.
A simples apropriação de saberes não é suficiente para a aprendizagem da cidadania, pois os maiores ditadores, traficantes e especuladores se baseiam em conhecimentos científicos e estratégicos para terem sucesso em suas ações. Sendo assim, se a escola pretende educar para a cidadania não basta oferecer uma educação cívica como em tempos antigos, mas ela deve educar para a autonomia, para a capacidade de se expressar, de negociar, de mudar o mundo por meio da construção de meios intelectuais, saberes e competências.
A educação se baseia em algumas crenças, como a de que mais saberes modificam as práticas, as atitudes e as opiniões de uma pessoa, entretanto, sabemos que os comportamentos não são garantidos pelo conhecimento, mas para que pelo menos se aposte em um comportamento mais adequado (apropriado) e de acordo com a cidadania, o conhecimento é algo necessário; se não é suficiente, pelos menos é uma condição necessária. “A educação para a cidadania não se trata de uma educação comportamental, de normalização de corpos e de espíritos em detrimento da formação de um cidadão livre e responsável” (PERRENOUD, 2005, p. 173).
Ainda segundo Perrenoud (2005), a escola pode sim, proporcionar aos alunos momentos de experienciação da cidadania, onde eles possam vivenciar situações nas quais entram em questão algumas competências cidadãs, sobre as quais eles irão refletir, opinar, sugerir e assim, iniciar o processo de transformar a informação em conhecimento e este em práticas diárias que correspondam com atitudes cidadãs.
A escola, que corretamente reconheça sua própria pluralidade, necessita estar também atenta ao projeto de vida de diferentes conjuntos de alunos, sendo capaz de apóia-lo, seja ele majoritário ou não. Exemplos importantes são o preparo pré-universitário, significativo para uma boa parcela de seus alunos, ou a orientação profissional imediata, para parcela ainda maior.
Não se pode submeter toda a escola à lógica de cada uma destas metas, mas ignorá-las seria inaceitável, pois corresponderia a deixar de cumprir algumas das missões da escola; portanto, é preciso combinar a atividade escolar comum a todos com atividades complementares, sempre que possível estabelecendo parcerias com outras instâncias públicas e comunitárias, como organizações não-governamentais, ou fazendo uso de outros equipamentos sociais e demandando sua criação, quando percebida sua ausência ou insuficiência.
Deve-se, portanto, aliar o ensino de conhecimentos básicos ao exercício da cidadania, compreendida a partir da construção de um projeto de vida que englobe não somente interesses individuais, mas também desejos em relação à coletividade.

"Num país com imensas desigualdades e contradições, a educação se apresenta como um fator de esperança e transformação para a sociedade, não apenas permitindo o acesso ao conhecimento, á participação, mas propiciando condições para que o indivíduo construa sua cidadania (BALEEIRO, 1999, p. 23)."
Um dos propósitos da educação é promover a reflexão sobre os valores socialmente aprendidos e a superação de decisões e adaptações inadequadas à realização pessoal e coletiva. Nesse sentido, mudar significa aprender a ser e fazer de uma nova maneira: implica problematizar experiências e padrões de comportamento, questionar modelos e regras internalizados e avançar na criação de formas diferentes de interpretar a realidade. É tornar-se capaz de ir além do script – dos padrões e papéis que nos induziram a aceitar inconscientemente – para encontrar o caminho da realização pessoal, que é único, pessoal e intransferível.

Gestão Escolar e o exercício da cidadania na vida dos jovens que frequentam o Ensino Médio público de Chapecó - 1ª Parte

O texto abaixo faz parte do meu TCC do Curso de Especialização em Gestão Escolar. O trabalho será dividido em 04 (quatro) postagens e acredito que ele seja muito importante para a leitura e reflexão por parte dos profissionais que trabalham direta ou indiretamente com a educação de nossa juventude.

1. O EXERCÍCIO DA CIDADANIA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE DIREITOS HUMANOS E DEVERES DO CIDADÃO

A idéia de cidadania[1] nasceu na Idade Antiga, na Grécia, por volta do século V-IV antes da era cristã, se expandindo para o resto da Europa. Apenas homens e proprietários de terras (desde que não fossem estrangeiros) eram cidadãos. A cidadania, desta forma, era determinada a partir de um conceito restrito em relação aos tempos atuais, pois mulheres, crianças, estrangeiros e escravos não eram considerados cidadãos.
Na Idade Média (2ª era - século V até XV d.C.) vigorou na Europa o sistema feudal, onde os feudos eram fortalezas particulares de grandes proprietários de terras. A idéia de cidadania, perante o poder destes senhores feudais, foi reduzida de forma quase que integral. Isto se evidenciou no fato de que os proprietários dos feudos tornaram-se autoridades absolutas, que detinham todo o poder de decisão, fazendo com que os servos que habitavam os feudos, não pudessem gozar de espécie alguma de autonomia.
Após a Idade Média, o regime feudal deu lugar a um novo sistema. Os antigos feudos foram decompostos, formando cidades e posteriormente países, os chamados Estados Nacionais. Inicia-se então a Idade Moderna (3ª era - séc XV a XVIII d.C.), onde os poderes existentes nos países do contexto pós-feudalismo provinham da união de dois grupos: o Rei e a Burguesia. O Rei, uma figura extremamente poderosa, era financiado pela burguesia em troca de apoio político.
Com o tempo, a figura de “poder absoluto” do rei passou a não mais agradar à burguesia que, enriquecendo de forma autônoma e veloz, passou a perceber o Rei como um perigo, um obstáculo ao seu progresso. Para dar fim ao Absolutismo Real a burguesia realizou cinco grandes revoluções, assim denominadas: Revolução Industrial; Iluminismo (Revolução Filosófica); Revolução Francesa (considerada a maior de todas); Independência dos Estados Unidos e Revolução Inglesa. As cinco revoluções possuíam como objetivo comum a destituição do Rei do poder, tendo como aliados os demais segmentos da sociedade .
Com o fim do Absolutismo, inicia-se a Idade Contemporânea (séc. XVIII até os dias de hoje), marcada pela consolidação de um novo tipo de Estado[2], o Estado de Direito (característica do modelo atual). O Estado de Direito identifica-se pela afirmação de que "Todos possuem direitos iguais perante a constituição", o que se configurou como um grande avanço no conceito de Cidadania, mas que, no entanto, centrou-se muito mais em seu aspecto formal.
Se por um lado, as Revoluções Burguesas, em especial, a Revolução Francesa, configuraram o mais avançado processo que a humanidade já conheceu, por outro lado, surgiu, em outro viés, o processo de exploração e dominação do capital. A burguesia necessitava do povo e o convencia de que todos estavam contra o Rei e lutando pela igualdade. Foi após estas insurreições vitoriosas que surgiram as primeiras constituições que atuavam na lógica do Estado feito a serviço da Burguesia.
Ocorreu, desta forma, a grande contradição: cidadania X capitalismo. Considerando que, de forma sintética, a Cidadania corresponde à participação de todos num processo de luta em busca de benefícios sociais e igualdade, opondo-se diretamente aos preceitos de uma sociedade capitalista. Pois o capitalismo alimenta-se da desigualdade, uma vez que para que este sistema sobreviva faz-se necessário a existência de ricos e pobres (estes sempre em maior número).
Os empresários, donos dos meios de produção e do Capital, por sua vez, necessitam do trabalho dos operários para obterem a mais-valia; sem esta seu capital não multiplica, o que gerou dominação, exploração e alienação ao longo da história.
Com o passar do tempo os operários passaram a tomar consciência de sua condição de desvantagem perante esse sistema explorador. Isto se deu especialmente devido às influências das teorias comunistas que começaram a se disseminar pelo mundo no século XIX. Marx, com seu Manifesto comunista, e as revoluções socialistas que se seguiram, tiveram influência impar neste processo. Começaram a ocorrer greves como forma de pressionar os capitalistas. Os trabalhadores reivindicaram uma melhor condição de vida, diminuição das jornadas de trabalho e a existência de uma legislação trabalhista que os resguardasse da exploração extrema do capital.
Atualmente a expressão “cidadania” tem sido amplamente debatida se fazendo presente em diversos discursos, porém com diferentes intenções. As compreensões e usos do tema cidadania se dão sobre perspectivas particulares de grupos sociais e interesses distintos. Em função disso é imprescindível, quando se fala em cidadania, clarear este conceito, para que se tenha noção de que tipo de cidadania se está tratando.
A abordagem que se pretende enfocar neste trabalho a percebe numa “concepção dialética”. Isto se dá pelo fato de se entender que esta conceituação de cidadania recebe significação mais ampla, que dispõe de condicionamentos como o nível econômico, cultural e social. A cidadania deve ser percebida dentro de um contexto histórico permeado de mudanças e construções diversas que revelaram formas de pensar e de posicionar-se também divergentes. Tal movimento é característico da dialética.
Uma categoria central na forma de se pensar a cidadania é pensar que essa não assegura apenas direitos, mas estabelece deveres. A definição da concepção de direitos e deveres dos cidadãos foi sendo estabelecida ao longo da história, sendo que a própria Revolução Francesa, de 1798, foi um marco no estabelecimento de matrizes dos direitos dos cidadãos.
As proposições centrais, aprimoradas no decorrer da história, quanto à cidadania são: a igualdade de todos perante a lei, condenando a distinção por raça, cor ou credo; a liberdade entendida como direito de cada um de decidir sobre a sua vida; acesso a bens essenciais a uma vida digna; o direito a expressão, a participação política, a reivindicação, organização oportunizando a cada um conquistar seu espaço.
Desfrutar desses direitos, no entanto, implica em uma contrapartida; faz-se necessário a adoção de uma postura comprometida frente aos deveres. São conceituados deveres do cidadão: lutar pelo espaço de construção dos direitos da coletividade; seguir as normas estabelecidas pelo todo; participar ativamente do governo, seja pela participação direta ou atuando na fiscalização do cumprimento de seu papel. Historicamente tem-se pensado a cidadania somente pela ótica do direito. Nessa perspectiva as soluções para certas problemáticas são, rotineiramente, esperadas de forma gratuita. Por essa visão as pessoas não reconhecem, e mais, não são incentivadas a se verem como agentes na construção dos direitos e no cumprimento dos deveres.
Reavivando as concepções de alguns pensadores a respeito de cidadania, pode-se enfatizar a existência de variações, determinadas, ora pelo período histórico, ora pelo anseio de construção de novos caminhos. Karl Marx, citado por Tonet (2005), acreditava que a busca da cidadania só poderia ocorrer com a emancipação política, seguida pelo desmantelamento do sistema capitalista que, segundo suas concepções, acabava com toda possibilidade de igualdade, princípio fundamental desta. Para Marx a cidadania não se faria possível aos trabalhadores enquanto estes continuassem a ser explorados pelo Capital.
Já John Locke parte da proposição de que todo homem é proprietário do que retira da natureza, sendo que essa apropriação não precisa do consentimento de todos os homens. Para ele, o conceito de cidadania e o direito à propriedade estão ligados à pessoas mais diligentes e racionais, mais aptos à competição, considerando incapazes os não preparados a esta.
Jean-Jacques Rousseau percebia a cidadania como um conceito abrangente a todas as pessoas. Esta poderia ser praticada sob o poder de representantes governamentais, assim como nas decisões tomadas pelo povo.
Emmanuel Kant afirmava que "o desenvolvimento da sociedade humana dependia do desenvolvimento da história da sociedade jurídica", sendo que o cidadão era aquele que utilizava as leis como uma forma de lutar pelos seus próprios direitos.
A cidadania, a partir de concepções mais recentes, predispõe luta; é um estágio conquistado e nunca acabado. A concepção que se pretende enfocar neste trabalho, a compreende com uma conquista que tem início “de baixo”, a partir da organização e reivindicação das classes subalternas. Esta vai ao encontro da concepção de Jacobi (2002, p. 17), que defende que as práticas sociais que constroem a cidadania, baseadas na solidariedade e no encontro entre direitos e deveres, representam a possibilidade de constituir-se num espaço privilegiado com a finalidade de cultivar a responsabilidade pessoal, a obrigação mútua e a cooperação voluntária.
Hoje, sabe-se que uma sociedade onde se prima (ao menos se deseja primar) pela igualdade e onde as mudanças ocorrem de forma cada vez mais veloz, exige que sejam estudadas, adotadas e aperfeiçoadas determinadas regras sociais para que as pessoas pertencentes à mesma possam desfrutar de uma convivência mais saudável, usufruindo dos meios necessários para o seu bem estar. Os direitos e os deveres devem ser as instituições que viabilizam a vida social, tornando-a mais justa, transparente e igualitária.
Os direitos, sendo considerados respostas aos deveres, podem ser subdivididos em três dimensões:
· Direitos Civis: segundo Covre (1999, p. 11), correspondem ao direito de se dispor do corpo, de locomoção, de se ter garantida a segurança. Embora pareçam óbvios, estes direitos, ainda hoje, não são respeitados em sua totalidade. Apesar da liberdade formal de ir e vir, da possibilidade de se fazer escolhas, em muitas situações tais liberdades são condicionadas por diversos fatores. Analisando o contexto vivenciado, de forma cautelosa, se pode constatar que são poucas as situações em que a grande maioria das pessoas tem, realmente, a possibilidade de decidir. O destino encontra-se atrelado às condições oferecidas pelo meio e as ações são limitadas por carências materiais, por convenções sociais e culturais.
· Direitos Sociais: correspondem ao atendimento de necessidades básicas humanas, como alimentação, educação, saúde, habitação, trabalho que ofereça condições dignas de sobrevivência. Considerando a realidade brasileira, percebemos que o alto índice de desemprego e miséria impossibilita que uma grande parcela da população tenha acesso a estes direitos básicos.
· Direitos Políticos: dizem respeito à possibilidade de se ter livre arbítrio sobre o pensamento, poder expressá-lo livremente, expondo convicções políticas, religiosas e culturais. Compreende o direito a organização, a participação em sindicatos, partidos, movimentos sociais, conselhos e associações; pressionar e reivindicar através de greves e movimentos sociais. Ou mesmo de forma indireta, pela escolha de governantes.
As três dimensões históricas dos direitos humanos estão ligadas aos três ideais da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade, estes direcionados para a solidariedade. Analisando esta “construção” dos direitos ao longo da história, conclui-se que...

... os direitos não nascem todos de uma vez. Nascem quando devem ou quando podem nascer. Nascem quando o aumento de poder do homem sobre o homem – que acompanha inevitavelmente o progresso técnico, isto é, o progresso da capacidade do homem de dominar a natureza e os outros homens - ou cria novas ameaças à liberdade do individuo, ou permite novos remédios para suas indigências: ameaças que são enfrentadas através de demandas de limitações do poder; remédios que são providenciados através da exigência de que o mesmo poder intervenha de modo protetor... Embora as exigências de direitos possam estar dispostas cronologicamente em diversas fases ou gerações, suas espécies são sempre - com relação aos poderes constituídos – apenas duas: ou impedir os malefícios de tais poderes ou obter seus benefícios. (ALVAREZ op cit BOBBIO, 1999, p.95).

No entanto, não basta que os direitos e deveres existam e sejam reformulados a cada novo período de tempo conforme a realidade assim exige. Deve acontecer, por parte de todos os órgãos da sociedade, uma abertura maior, liberta dos jogos de interesses e conhecedora das desigualdades que abrangem todo o sistema e que são responsáveis por uma infinidade de conseqüências negativas. A disponibilidade para a participação é fator fundamental para o desenvolvimento de espaços de justiça social e igualdade, principalmente, diante de mecanismos capitalistas que faturam com a ideologia que perpetua uma sociedade alienante, ao invés de libertadora.
Não se pode contestar que o regime democrático, no ponto de vista da engenharia dos procedimentos, seja uma realidade. Para conquistar, porém, a adesão decisiva da população e consolidar uma cultura política democrática é necessário estender a democracia para além dos procedimentos formais, produzindo a confiança dos cidadãos na sua eficácia. Por meio da ampliação das políticas públicas, deve-se formar cidadãos ativos, dinâmicos, com uma visão de mundo aberta.
Cada um deve saber o que lhe compete cumprir e exigir e, acima de tudo, deve saber a finalidade de tal importância. A imposição de formas de pensar que favoreçam apenas a um segmento social e a legitimação do poder somente perderão forças se as pessoas realmente aprenderem que não são números, registros, meros passageiros, mas condutores de suas histórias, livres para opinar e trabalhar a favor de uma sociedade melhor, mais humana e solidária.
O fortalecimento da Sociedade Civil[3] tem sido pauta de inúmeras discussões na atualidade. Autores diversos apontam como sendo esta a estratégia mais legítima na busca pelo desenvolvimento social. Esta afirmação é validada na certeza de a construção de uma Sociedade Civil mobilizada e forte possibilitar uma reivindicação eficaz por direitos junto ao Estado. Este fortalecimento constitui-se em um processo que deve ter início na formação dos indivíduos, sendo que esta formação deve primar pela politização e pelo desenvolvimento de uma consciência cidadã.


1.1 Conceito de Participação Social, Autonomia, Democracia, Cidadania Plena e Pobreza Política: a emergência de um novo conceito de cidadania

A participação social, segundo Demo, consistindo num exercício da democracia, se traduz na capacidade conquistada de participar das questões que dizem respeito à coletividade, seja na atuação no âmbito do Estado, ou mesmo nas demais áreas da sociedade.
Quanto à questão da autonomia, esta consiste no poder que determinado individuo ou grupo de indivíduos possui em relação à tomada de decisões e de iniciativas no âmbito que envolve o seu espaço social, político, cultural e demográfico. É fundamental possibilitar que os cidadãos conquistem autonomia, do contrário, estarão sempre atrelados à indústria cultural e à grupos dominantes, que impõe padrões de consumo, de valores e de ideologia. Assim a cidadania também deve dizer respeito à autonomia de uma sociedade, no sentido de a mesma ter condições de traçar suas próprias políticas em uma sociedade democrática e com participação efetiva do povo.
A Democracia, por sua vez, pelo conceito de Coutinho (1999, p. 22), consiste na construção coletiva do espaço público, com a plena participação consciente de todos na gestação e no controle da esfera política. A democracia, de caráter participativo, traz consigo a capacidade política da sociedade se organizar e participar ativamente do poder, e sob o viés sócio-econômico, é a consagração dos direitos mínimos do homem, visando atingir a cidadania plena, que pressupõe uma educação que permite aos indivíduos a definição de seus próprios valores.
Neste sentido, a cidadania plena somente poderia se dar, mediante um processo educacional sério, que vise modificar as estruturas sociais, as atitudes dos indivíduos, a mentalidade, as significações, o fortalecimento da família e os valores éticos e comportamentais.
A pobreza política caracteriza-se por estar presente em sociedades debilitadamente organizadas, que acabam por se tornarem alvo fácil de manipulação. O conjunto de indivíduos que compõe tais sociedades carece de espaço, de determinação, de organização, e devido a estas deficiências, acaba por viver na dependência, seja ela material, ou mesmo de outra natureza. A identificação mais precisa quanto a essa pobreza, está na passividade como as pessoas encaram a sociedade, recebendo e acatando o que lhe é imposto.
Constitui-se, portanto, em pobreza política a não reivindicação de direitos, a não organização, a passividade de esperar de outrem a solução para as problemáticas existentes.
As carências materiais, seguidamente, encontram-se associadas às características de sociedades pobres, mas não ficam, estritamente, condicionadas a esta. Sendo que tais deficiências de autonomia e participação podem ser identificadas em classes abastadas.
A existência de sociedades onde a pobreza política esteja presente vem sendo, convenientemente, utilizada por governos e classes dominantes. Uma educação de qualidade, crítica, é seguidamente percebida como ameaça à ordem existente. Cidadãos não conscientes de seu espaço, seus direitos e deveres são incapazes de cobrar, fiscalizar. A necessidade de uma educação que possua em suas matrizes tais conceitos é imprescindível para a formação de uma sociedade autônoma e politicamente ativa.
As transformações ocorridas na política brasileira nos anos 70 propiciaram condições para que, no final desta década e especialmente nos anos 80, emergissem novos atores no cenário social. Estes sujeitos sociais, provenientes das organizações populares de oposição ao regime ditatorial que, por duas décadas, governou o país, criaram novos espaços e formas de participação, possibilitando que, gradativamente, o período de repressão fosse sendo substituído por um contexto mais democrático. Estes espaços foram sendo conquistados pelos movimentos sociais e demais formas de organização da Sociedade Civil, que articularam alianças com o objetivo de resistência e luta pela conquista de direitos políticos, civis e sociais.
O papel destes novos agentes foi de extrema relevância na construção de estruturas permeadas por ideais de democracia, essenciais ao exercício da participação social, instrumento indispensável para a concretização da cidadania.
A cidadania passou, então, a ser percebida como processo de construção histórica, que toma forma a partir de interesses e lutas que se modificam a cada novo contexto. A reconceituação por que passaram as idéias de direito e democracia, evidenciam que a evolução neste campo se deu pelo fato destas categorias terem ultrapassado a lógica conservadora de manutenção do estabelecido, passando a perceber tais processos como inacabados e de permanente continuidade, abrindo horizontes para a invenção/criação de novos direitos. Esta nova percepção de cidadania, passa a ser concebida e utilizada como estratégia pelos indivíduos emergentes desse processo, denominados sujeitos sociais ativos, capazes de promover a luta por direitos.
Analisando o contexto vivenciado pela sociedade brasileira, a construção dessa nova cidadania consiste, especialmente, em um processo de transformação de conceitos e práticas estabelecidas no meio social. O surgimento de sujeitos, dotados de autonomia para protagonizar, traz a necessidade da realização de uma reforma na estrutura da sociedade, para que esta esteja apta a receber estes denominados sujeitos sociais ativos.
A construção dessa nova cidadania pode ser considerada uma resposta aos desafios resultantes de concepções equivocadas e políticas ineficientes, oriundas dos diversos contextos históricos que se sucederam. Tal construção está condicionada à capacidade de articulação da democracia e do seu campo de abrangência e profundidade.
Segundo Dagnino (1994), a nova cidadania assume uma redefinição da idéia de direitos, cujo ponto de partida é a concepção de um “direito a ter direitos”. Essa concepção não se limita a provisões legais, ao acesso a direitos definidos previamente ou a efetiva implementação de direitos formais abstratos. Ela inclui a invenção / criação de novos direitos, que surgem de lutas específicas e de suas práticas concretas.

[1] A palavra cidadão tem derivação da palavra civita que, em latim, significa cidade, e tem seu correlato grego na palavra politikos (aquele que habita na cidade). No sentido ateniense do termo, cidadania é o direito da pessoa em participar das decisões nos destinos da Cidade através da Ekklesia (reunião dos chamados de dentro para fora) na Ágora (praça pública, onde se agonizava para deliberar sobre decisões de comum acordo). Dentro desta concepção surge a democracia grega, onde somente 10% da população determinava os destinos de toda a Cidade (eram excluídos os escravos, mulheres e artesãos).
[2] O Estado corresponde à organização de uma nação em território próprio, sendo composto de grandes e complexas estruturas organizacionais que se desenvolvem concentrando poderes econômicos, culturais e políticos.O Estado representa uma das forças presentes no cenário social.
[3] Segundo o conceito de Gramsci, a Sociedade Civil representa a emergência de uma sociedade que se articula de forma a organizar-se politicamente, com vistas à participação e representação de interesses coletivos.Constitui-se assim em um novo espaço público de atuação.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Sacanagem cidadã!

A palavra cidadania está em alta nos dias de hoje, muito utilizada em discursos, teses,etc... Mas será que realmente sabemos o seu real significado?
Todos nós experimentamos o exercício da cidadania em nossa vida, seja em situações onde ela é exercida ou em situações onde ela só existe de enfeite. Infelizmente, nos dias de hoje, a percebemos muito mais sendo esquecida do que exercida.
Gostaria de lembrar aqui que, pelo fato de vivermos situações diárias que envolvem a cidadania, todos temos a oportunidade para darmos a nossa contribuição para que seu exercício seja realmente levado a sério. O grande desafio é remar contra essa corrente de “alienação” que arrasta grande parte de nossos cidadãos transformando-os em personagens sem expressão na sociedade.Trago aqui uma poesia escrita por Elisa Lucinda, intitulada “Só de sacanagem” e interpretada pela cantora Ana Carolina, que mostra um pouco o meu sentimento frente a essa dura realidade para a qual nossa sociedade caminha. Faço minhas as palavra de Lucinda e me junto a ela para “sacanear”. E você, o que vai fazer?


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

GRIPE SUÍNA - o que fazer?

Na atualidade, o que está em alta, em toda a sociedade mundial é a Gripe A (H1N1). Será ela tão perigosa assim, ou não? O fato é que ela está aí e os números nos mostram que devemos ter certos cuidados para com nossa saúde.

O que muitas pessoas não sabem é que com algumas atitudes básicas, que deveriam fazer parte de nosso dia-a-dia, podemos nos prevenir desta doença. É o que nos mostra a médica infectologista do Hospital Nereu Ramos de Florianópolis, dra. Sílvia Flores em entrevista ao Programa Educação e Cidadania. Assista:

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